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março 2018

Estoque de sangue em baixa

By | Saúde | No Comments

O Brasil é referência em doação de sangue na América Latina, Caribe e África. Desde 2009, a experiência brasileira é utilizada em cooperações técnicas com vários países para o fortalecimento e desenvolvimento da promoção da doação voluntária de sangue, qualificação da atenção integral à pessoa com Doença Falciforme e aperfeiçoamento da produção de hemocomponentes. Mesmo com todos esses atributos, a queda de doação de sangue tem impactado os estoques de várias cidades de acordo com relatos dos hemocentros. Para reverter esse quadro, o Ministério da Saúde alerta a população de todo o país sobre a importância da doação regular, da sensibilização de novos voluntários e da mobilização dos já existentes doadores.

As doações de sangue habitualmente são menores em todo o país nos períodos de férias escolares e feriados prolongados, o que ocasiona uma redução nos estoques de sangue. Estados que registram casos de Febre Amarela apresentam maiores quedas, pois quem é vacinado contra a doença fica inapto para doar sangue durante quatro semanas.

“O sangue é insubstituível. Ainda não existe nenhum tipo de medicamento que possa substituir a doação de sangue. E quem precisa, só consegue graças à generosidade de quem doa. O importante é doar regularmente, pois em períodos de férias e seca, a tendência é diminuir os estoques. Vale lembrar que uma doação pode beneficiar até quatro pessoas”, reforçou o coordenador da área de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Flávio Vormittag.

Estrutura

Atualmente, o Brasil possui 32 hemocentros coordenadores e 2.033 serviços de hemoterapia, incluindo hemocentros regionais, núcleos de hemoterapia, unidades de coleta e transfusão, central de triagem laboratorial de doadores e agências transfusionais. No Brasil, são feitas cerca de 3,4 milhões de doações de sangue por ano. Dados de 2016 indicam que 1,6% da população brasileira – 16 a cada mil habitantes – doa sangue. Embora o percentual fique dentro dos parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS) – de pelo menos 1% da população – o Ministério da Saúde tem se esforçado para aumentar a taxa.

A doação de sangue é 100% voluntária e beneficia qualquer pessoa independente de parentesco com o doador.

AuditSimples apoia Receita Municipal

By | Nacional

Tecnologia nacional permite gerenciamento do Simples pelos municipios

 Todo cidadão espera uma boa prestação de serviços e é dever de todos contribuir para o progresso da cidade

Começa  a gerar resultado um novo software nacional muito útil aos municípios, denominado de AuditSimples.  É uma solução tecnológica moderna, desenvolvida pela empresa brasiliense CDS Tecnologia. Destina-se ao gerenciamento e auditoria do Simples Nacional, pela ótica municipal.

Ao lançar o produto, a CDS fez a primeira implantação, bem sucedida, no município de Jaguariúna, em São Paulo. O sistema consolidou-se e está pronto para aplicação em cidades de grande porte. Alguns outros municípios já estão testando o AuditSimples.

Milhares de empresas

Segundo informação do Departamento de Fiscalização Tributária de Jaguariúna, a ação de fiscalização e auditoria em realização neste mês de março está abrangendo 1.138 empresas enquadradas no Simples Nacional. Conforme o diretor do Departamento de Fiscalização da Prefeitura, Ícaro Biotto Battoni, a finalidade é verificar a regularidade e possíveis pendências de entrega de declarações e recolhimentos dos impostos junto à União.

“Essa ação será contínua e se dará através da utilização de um software de gerenciamento e auditoria do Simples Nacional, o AuditSimples”, disse Battoni. De acordo com o responsável pela fiscalização, muitas das empresas enquadradas nesta categoria, em Jaguariúna, estão com suas declarações em dia, mas há uma parcela que não segue as regras, deixando de contribuir com a arrecadação.

“Somos um município com boa qualidade de vida e cabe à administração pública manter e ampliar esse padrão na medida do possível. Sem arrecadar, isso acaba se tornando inviável. Todo cidadão espera uma boa prestação de serviços e é dever de todos contribuir para o progresso da cidade”, explica.

Simples nacional

O Simples Nacional é um regime compartilhado de arrecadação, cobrança e fiscalização de tributos aplicável às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. Ele está previsto na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e abrange a participação de todos os entes federados (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). “As pessoas jurídicas de Jaguariúna que se enquadram nessa condição e que possuem pendências de entrega de declarações ou de recolhimentos serão notificadas e receberão um prazo para regularização. O melhor caminho é buscar a orientação dos contadores ou aqui no Departamento de Fiscalização”, orienta Ícaro Battoni, mostrando como está funcionando o novo sistema. Pendências junto ao Fisco Municipal, de natureza fiscal ou cadastral podem impedir a opção ao regime do Simples.  O Simples Nacional compartilha a cobrança de oito tributos é feita em um único boleto, sendo seis tributos federais (IPPJ, IPI, PIS, COFINS, CSLL e CPP), um estadual (ICMS) e um municipal (ISS). Além da simplificação no pagamento, o Simples Nacional também se constitui em um benefício fiscal para as empresas favorecidas, uma vez que promove uma redução significativa da carga tributária.

CDS tecnologia

Há 20 anos a CDS Tecnologia atua no mercado brasileiro, a partir de Brasília, hoje com Escritórios em São Paulo e Paraná. Desenvolve projetos de gestão corporativa e integração de soluções tecnológicas para empresas e órgãos governamentais de todos os níveis. No momento, além desse projeto AuditSimples, desenvolve solução para que entidades públicas gerenciem suas ações relacionadas com o Siconv, com grande facilidade de operação.

A CDS tem parceria com empresas de dimensão internacional, como SAS, WSO2, Esri (geoprocessamento), Teradata, Microstrategy, Cloudera, Informática, ServiceNow, Tibco, Opentext, entre outras. São mais de 300 colaboradores, em diversos estados, abrangendo clientes como Tribunal de Contas da União, Banco Central, Caixa Econômica Federal, Tribunal de Justiça de São Paulo, entre muitos outros, incluída a multinacional GM, que teve mais de 600 concessionárias integradas pela CDS Tecnologia.

Corredor para proteger onça pintada

By | Meio Ambiente

O Brasil vai se associar aos países das Américas do Sul, Central e do Norte nos esforços de proteção ao jaguar, felino que no Brasil é conhecido como onça-pintada (Panthera onca) e encontra-se na lista da fauna brasileira ameaçada de extinção. A espécie esta presente do sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Segundo o diretor de Conservação e Manejo de Espécies do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ugo Vercillo,o pais vai participar ativamente dos esforços que estão sendo desenvolvidos para proteger a onça em toda a América e avançar na integração que resulte numa área regional de preservação do animal, como o Corredor das Américas.

“O Corredor das Américas é uma estratégia real e uma solução para proteger a onça-pintada, para evitar a perda de seu habitat. A implementação de áreas protegidas, do estabelecimento de novas áreas e da conexão dessas paisagens para ajudar a dispersão da onça-pintada em toda a sua área de ocorrência nas Américas pode garantir o espaço necessário para manter as populações de forma saudável”, reforçou.

Vercillo destacou que o Brasil possui legislação ambiental “robusta e abrangente” de apoio às ações de preservação da onça-pintada. Além disso, mantém um sistema amplo de unidades de conservação que se soma às áreas nativas que devem ser preservadas por lei nas propriedades rurais privadas.

“A lacuna neste processo é ligar o quadro regulamentar ao setor privado e facilitar um grande envolvimento desse setor na proteção do meio ambiente. Vários projetos no Brasil têm foco em construir esta ponte e identificar recursos para fortalecer esse trabalho”, afirmou Vercillo.

Ameaças

O Brasil detém a maior população de onças-pintadas em toda a área de distribuição da espécie. Segundo o chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade,, Ronaldo Morato, a perda de habitat, a perseguição e a caça são as maiores ameaças para a sobrevivência a longo prazo do animal no país.

No Brasil, a espécie é classificada como vulnerável na Amazônia e no Pantanal, em perigo no Cerrado e criticamente ameaçada de extinção na Mata Atlântica e Caatinga.

Porto de Santos cada vez maior

By | Infraestrutura

 

Maior Porto da América Latina, o Porto de Santos completou 126 anos de atividade e foi presentado com novas obras de modernização para aumentar a escala e a produtividade dos terminais que atuam na área. As obras de recuperação e reforço estrutural do cais localizado entre os armazéns 12-A e 23 que conta com uma extensão de 1,7 mil metros, foram inauguradas pelo. ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella.  A obra faz parte do portfólio do Programa “Agora, é Avançar” e vai permitir o aprofundamento dos berços de atracação naquele trecho, adequando para a profundidade do canal de navegação, que foi dragado para 15 metros em 2012. O trabalho realizado contou com o reforço nas estruturas, com injeção de concreto na base do cais e perfis metálicos, além da recuperação de estacas e lajes eventualmente avariadas. Com a conclusão dos serviços, os berços de atracação poderão ser dragados, permitindo a chegada de navios maiores, dando ganho de escala e produtividade para os terminais que atuam Porto santista. O governo federal investiu R$ 229 milhões nesta obra.

Jet-grounting

O empreendimento foi realizado em duas etapas: recuperação estrutural da laje existente e a execução de cerca de 60 mil metros de colunas de jet-grounting (instalação de colunas de cimento, executadas por perfuração, jateamento e desagregação do solo com calda de cimento a altas velocidades e sob alta pressão. Nas obras de recuperação e reforço do cais santista foi aplicada a tecnologia jet-grounting, técnica mais utilizada para tratamento e reforço de solos no mundo. Trata-se de uma tecnologia que permite a melhoria e o reforço do solo por meio da instalação de colunas de cimento, executadas por perfuração, jateamento e desagregação do solo com calda de cimento a altas velocidades e sob alta pressão.

O jet-grounting é a técnica mais indicada por especialistas para intervenções em solos fracos e de baixa resistência, sendo utilizada na melhoria das propriedades, contenções, reforços e reduções de permeabilidade dos solos. O procedimento está presente em barragens e túneis, além de obras portuárias.

Hidrovia

A comemoração incluiu o lançamento do Projeto Hidrovia do Porto de Santos, que tem um potencial de 200 quilômetros de vias navegáveis, situadas no entorno do complexo portuário. As projeções de demanda do modal apontam para uma movimentação de 151 milhões de toneladas de carga para o ano de 2020. A implantação da hidrovia estimulará a criação de terminais multimodais na região impulsionando o surgimento de uma plataforma logística ao longo da hidrovia, promovendo o tráfego de cargas com custo menor maior eficiência, segurança menor impacto ambiental, reduzindo significativamente o custo logístico e descongestionamento dos demais acessos.

Recordes

O Porto de Santos lidera o ranking de movimentação dos Portos Organizados e transporta um terço dos produtos movimentados no país. Além disso, é o primeiro na movimentação de contêineres, e na exportação de açúcar e de grãos de soja. Em 2017, bateu novo recorde anual de movimentação de cargas, atingindo o total de 129,8 milhões de toneladas, 14,1% o maior que o verificado no ano anterior e 8,3% acima da então melhor marca anual, ocorrida em 2015 (119,9 milhões de toneladas). O movimento superou em 6,4% a estimativa inicial de janeiro passado, que apontava para um total de 122 milhões de toneladas.

A infraestrutura portuária é dotada de mais de 15 quilômetros de extensão de cais e área útil total de 7,8 milhões de m². Além de 55 terminais marítimos e retroportuários e 65 berços de atracação, dos quais 14 são de terminais privados (Cutrale, Dow Química, Usiminas, Valefértil e Embraport). Destacam-se os terminais especializados, localizados nas duas margens do estuário, com a seguinte disponibilização de berços: um para veículos; 17 para contêineres; cinco para fertilizantes/adubos; seis para produtos químicos; dois para cítricos; oito para sólidos de origem vegetal; um para sal; dois para passageiros; um para produtos de origem florestal; um para derivados de petróleo; quatro para trigo; cinco para produtos siderúrgicos; dez para carga geral e dois de multiuso (suco cítrico agranel, roll-on/roll-off e contêiner).

 

Ferrovias registram recorde

By | Transporte

Movimentação de cargas aumentou quase 7%

O transporte de cargas pelas ferrovias brasileiras, em 2017, apresentou crescimento de 6,9% em relação ao ano anterior, de acordo com os dados da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Ao todo, foram transportados 538,8 milhões de toneladas úteis, 35 milhões a mais em relação a 2016. O valor é o maior registrado pela agência nos últimos 12 anos. Os produtos relacionados à produção agrícola registraram a maior variação positiva, de 73,7% no período analisado. Entre os 15 grupos de mercadorias transportadas pelos 12 trechos concedidos à iniciativa privada, a produção agrícola teve a maior alta na comparação com 2016, passando de 10,5 milhões de toneladas para 18,2 milhões.

A soja e o farelo de soja registraram o segundo maior aumento, de 31,5%. O valor representa mais de 30 milhões de toneladas. Por outro lado, as mercadorias destinadas à indústria cimenteira e construção civil movimentaram 23,8% menos do que em 2016, assim como adubos e fertilizantes, 13,3%. O minério de ferro teve variação positiva de 4,7%, totalizando 416,4 milhões de toneladas úteis movimentadas. O produto representa mais de 77% do total das mercadorias transportadas pelas ferrovias brasileiras.

TKU

Em relação à carga útil transportada e multiplicada pela distância percorrida (TKU – tonelada quilômetro útil), o resultado obtido em 2017 foi 10% maior no comparativo com o ano anterior. No período, das 12 concessionárias, 5 apresentaram variação negativa de TKU. A maior queda foi registrada no trecho operado pela Rumo ALL Malha Paulista, de 24,4%, que atende ao estado de São Paulo, é responsável por parte do escoamento da produção agrícola pelo Porto de Santos. A Estrada de Ferro Carajás (EFC), operada pela Companhia Vale do Rio Doce entre os estados do Pará e Maranhão, teve saldo positivo de 14,1% no período comparado. O trecho é responsável pelo transporte, principalmente de minério de ferro, que segue para exportação via Porto de Itaqui (MA).

 

Paraná vai ampliar produção de medicamentos

By | Estados

O estado do Paraná vai contar com nova unidade de produção de medicamentos biológicos. A obra fará parte do Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI) e terá um investimento de R$ 45,7 milhões do Governo Federal. O CPPI é referência nacional na produção de soros antipeçonhentos, entre eles o soro antiloxoscélico, utilizado no tratamento de acidentes com aranhas-marrons. A unidade fica em Piraquara. A nova fábrica contará com aproximadamente seis mil metros quadrados e vai triplicar a capacidade de produção de soros. Hoje a unidade produz cerca de 20 mil frascos por ano, a expectativa é que com a nova unidade a produção avance para 60 mil frascos.

A unidade terá estrutura completa para produzir e dá envase final ao produto. O processo de finalização hoje é feito pelo Instituto Butantan. “É um investimento extremamente importante para o Paraná principalmente para aumentar a capacidade do laboratório, referência na produção de biológico”, enfatizou o ministro da Saúde Ricardo Barros. Além do CPPI, o ministério também vai investir na construção do Centro Biotecnológico do Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR) para a produção de seis medicamentos anticorpos monoclonais.

Segundo o secretário estadual de saúde, Michele Caputo Neto, a nova planta é uma iniciativa estratégica para saúde pública que vem atender tanto a necessidade nacional, quanto a demandas de outros países da América do Sul.

Investimentos

Atualmente o Ministério da Saúde, disponibiliza pela rede pública de todo o país cerca de 300 milhões de doses de imunobiológicos ao ano, para prevenir mais de 20 doenças, em todas as faixas etárias. Nos últimos cinco anos, o orçamento do programa cresceu mais de 140%, passando de R$ 1,2 bilhão, em 2010, para R$ 4,3 bilhões, em 2017. O programa  também está periodicamente fazendo mudanças no Calendário Nacional de Vacinação em função de diferentes contextos, incorporação de novas vacinas e mudança na situação epidemiológica das doenças imunopreveníveis.

A energia dos aterros sanitários

By | Energia

A geração de energia por aproveitamento energético pela degradação dos resíduos sólidos (aterros sanitários) pode contribuir para o compromisso de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa e aumentar para 18% a produção de biocombustíveis na matriz energética. A Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), vai favorecer os combustíveis com menor emissão de CO2, entre eles o biogás que é produzido pela decomposição do resíduo orgânico. A solução apresentada é valorização do biogás com remuneração extra pelo serviço ambiental, de acordo com o Crédito de Descarbonização (CBIO), que une as metas de redução de emissões e a avaliação por ciclo de vida de cada produtor de biocombustível. O CBIO será um ativo financeiro, negociado em bolsa, emitido pelo produtor de biocombustível, a partir da comercialização.

“Isso significa uma mudança para um tipo de produção de um país de biocombustível cada vez mais renovável”, afirma Miguel Ivan Lacerda, diretor do departamento de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME). Ele ressalta que a iniciativa do aproveitamento nos aterros sanitários é uma coisa que pouca gente notou até hoje.

Potencial

O biogás é resultado de um processo de biodigestão anaeróbia de resíduos sólidos urbanos depositados em aterros sanitários, produzido a partir da decomposição da matéria orgânica por ação de bactérias. Atualmente, essa fonte soma apenas cerca de 2% da capacidade instalada de geração de energia. Entretanto, o biogás é considerado um energético estratégico, pois é utilizável para geração elétrica, térmica ou automotiva. Também é uma fonte geradora contínua e permite o destino adequado dos resíduos gerados.

“O aproveitamento do gás de aterro de resíduos sólidos urbanos e saneamento para transformação de biometano para substituição de diesel em frotas públicas têm capacidade de desenvolver uma nova atividade econômica e introduzir novos agentes ao mercado com ganhos sociais, econômicos e ambientais. afirma o presidente da Associação Brasileira de Biogás e de Biometano (ABiogás), Alessandro Gardemann.

Mobilização mudou a realidade de Belágua

By | Capa

Em abril de 2015, o pequeno município de Belágua, no interior do Maranhão, foi escolhido pela Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal) e outras entidades para receber as ações do Movimento Solidário. A indicação levou em conta o baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), carências nas áreas de educação, saúde, saneamento básico e geração de trabalho e renda, alem de critérios como população e dificuldade de acesso.

A iniciativa começou modesta: entrega simbólica de R$ 102 mil, doação de kits escolares e de higiene, roupas, chinelos, cestas básicas, filtros de barro, caixa d’água, ajuda na instalação de energia elétrica na comunidade Olho D’água e brinquedos para as famílias. Em dezembro do mesmo ano, após identificar as reais carências econômicas e sociais das comunidades, o Comitê de Responsabilidade Social Empresarial da Fenae elaborou um plano de ações compartilhadas envolvendo os agentes da comunidade local. Em menos de três anos, o poder da solidariedade e da mobilização espontânea transformou, e continua transformando, a realidade de centenas de famílias em dez comunidades, algumas indígenas e quilombolas, que ate pouco tempo viviam abaixo da linha de pobreza e se alimentavam basicamente de farinha molhada e água imprópria para o consumo.

 

Cadeia produtiva

O projeto Belágua implantou poços artesianos, projetos de piscicultura (os tanques instalados já produzem até 7 mil tilápias), galpões para a criação de galinhas caipiras, aviários para codornas e hortas comunitárias por meio de cadeias produtivas. Atualmente, as comunidades estão gerenciando essas criações e colhendo os frutos do trabalho conjunto. Algumas comunidades, como a de Santa Maria, por exemplo, sofriam com a qualidade da água por causa de seu uso por animais e para a fermentação da mandioca, necessária para a fabricação da farinha. O poço artesiano instalado na comunidade permitiu aos moradores acesso a uma água de melhor qualidade, reduzindo as doenças causadas pelas verminoses e favorecendo o combate à desnutrição infantil. O Movimento esta zerando a desnutrição nas comunidades mais carentes da cidade com uma cadeia de produção de alimentos simples, permanente e complementar. As hortas comunitárias introduzem verduras, frutas e legumes na alimentação das famílias atendidas e os resíduos produzidos pelas criações de galinhas e peixes adubam as hortas (que sao plantadas próximas aos tanques e galinheiros).

 

Economia solidária

Todos os projetos já produzem mais do que o necessário para o consumo das famílias. A produção excedente é comercializada em feiras e fornecida em merenda escolar dentro Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), uma parceria entre governo federal, estado e município. Como os produtores não pagam o transporte nem a infraestrutura da feira, disponibilizados gratuitamente pela prefeitura, os produtos são vendidos a preços convidativos. O quilo da tilápia, por exemplo, é vendido a R$ 10. Com isso, estão proporcionando alimentos de qualidade para toda a população e fazendo o dinheiro circular no município. É a verdadeira economia solidária. Agora, já é possível comemorar a redução significativa da desnutrição: de 58%, em 2015, para 19%; da mortalidade materna de 25% para 8%; e das verminoses de 69% para 37%, entre outros indicadores.

Também comprova a eficácia do projeto ‘Movimento Solidário’, idealizado para apresentar soluções para que uma cidade social e economicamente excluída tenha condições de atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), levar desenvolvimento sustentável para regiões em condições precárias e erradicar a pobreza extrema a partir de parcerias capazes de reverter, ou pelo menos amenizar, a situação de vulnerabilidade social do local.

Abelhas nativas

O melhor mel de abelha sem ferrão do Brasil e do mundo será produzido pela comunidade do Preazinho, em Belágua (MA). O projeto-piloto de criação de abelhas nativas vai aproveitar a floração da árvore Mirim (Humiria balsamífera), abundante na região, para gerar renda para a população e ajudar a preservar a flora típica no município. A expectativa é que o projeto-piloto esteja concluído até meados do mês de maio, a tempo de aproveitar a floração da Mirim, que acontece de maio a dezembro. No começo serão de 40 a 50 caixas de abelhas no meliponário, que produzirá, cada uma, cerca de oito a dez litros de mel por ano. Serão criadas duas espécies de abelhas sem ferrão, a Tiuba e a Uruçu, de forma orgânica e natural. Muito apreciado pelo seu sabor característico, o mel de Mirim também é considerado bastante nutritivo, já que a planta é rica em ferro e sais minerais. O título de melhor mel de abelha sem ferrão foi conquistado na mostra Slow Food em Milão, Itália.

 

Telecentro

Montado em parceria com a colônia de pescadores do município e o Grupo Geração Santa, o Telecentro de Belágua, equipado com 12 computadores e acesso à internet, atende cerca de 200 crianças e adolescentes que já fazem parte de atividades já desenvolvidas na cidade, como reforço escolar, balé, futebol e voleibol. A colônia cedeu o espaço físico, o Grupo Geração Santa organizou e recrutou professores voluntários e o Movimento Solidário gerenciou as doações, forneceu os computadores, realizou a reforma do espaço e disponibilizou mesas, cadeiras e outros equipamentos.

A ideia é que, futuramente, toda a população se beneficie das aulas de Word e Excel, fortalecendo-se com atividades que proporcionam capacitação e geração de renda.

 

O poder da Moringa

Imagine uma planta que possui sete vezes mais vitamina C que a laranja, quatro vezes mais vitamina A que a cenoura, duas vezes mais proteína do que o iogurte, quatro vezes mais cálcio que o leite de vaca, três vezes mais ferro que o espinafre e três vezes mais potássio que a banana, além de todos os aminoácidos essenciais que nosso corpo não produz. Essa é a Moringa, considerada a “árvore milagrosa” porque possui uma grande variedade de antioxidantes, proteínas, vitaminas e sais minerais, em alta concentração.

É essa planta que o Movimento Solidário está introduzindo nas comunidades de Belágua. Além de se tornar mais uma fonte de nutrição de qualidade, a Moringa tem a capacidade de purificar a água. Já foram plantadas cerca de 600 mudas e a expectativa é as folhas possam ser usadas como alimentação em menos de um ano. Suas vagens verdes, flores e sementes têm rico valor alimentar. Ou seja, todas as partes são utilizáveis. A ideia é combinar as folhas em sopas e pratos que utilizem os outros produtos produzidos no município, como os frangos, peixes e as hortaliças. Outra proposta é processar as folhas, transformá-las em pó e vender o produto para toda a cidade.

 

Parceria

O governo do Maranhão colabora com o programa por meio do Plano Mais IDH, criado para desenvolver ações para superar a pobreza extrema e as desigualdades sociais nos meios urbano e rural, nos 30 municípios com menor IDH do Estado. O Estado disponibiliza consultas medicas periódicas, exames laboratoriais, pré-natal, capacitação técnica para agricultores familiares e suporte nas plantações. Foi com essa parceria que o Movimento Solidário promoveu um mutirão de consultas oftalmológicas que, em quadro dias, com dois oftalmologistas e mais de 15 pessoas envolvidas, realizou mais de 1200 consultas que detectaram problemas oculares em 546 pessoas. Essas pessoas receberam tratamento e óculos de grau distribuídos gratuitamente por meio de parcerias.

 

Apoio de Flavio Dino

No início de fevereiro, durante audiência pública no Palácio dos Leões, em São Luís (MA), a Fenae debateu com o governador Flávio Dino as ações do Movimento Solidário em Belágua, abrindo diálogo em torno de uma forma ativa para melhorar a vida dos que precisam.

Nessa ocasião, como a falta de regularização fundiária é um dos maiores empecilhos para a realização de ações como a do abastecimento de água nas comunidades mais carentes, Dino determinou que o Instituto de Terras do Maranhão (Iterma) passe a atuar na região de maneira mais concreta, para remover eventuais obstáculos. Na mesma reunião, o governador maranhense expressou total apoio à campanha “Defenda a Caixa você também”, iniciada no ano passado pela Fenae e outras entidades do movimento sindical e associativo. As mobilizações realizadas pelo Brasil, envolvendo os empregados e a sociedade, foram fundamentais para barrar o projeto de transformar o banco em uma Sociedade Anônima, o que seria o primeiro passo para a abertura de capital e a privatização da instituição.