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Mobilização mudou a realidade de Belágua

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Em abril de 2015, o pequeno município de Belágua, no interior do Maranhão, foi escolhido pela Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal) e outras entidades para receber as ações do Movimento Solidário. A indicação levou em conta o baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), carências nas áreas de educação, saúde, saneamento básico e geração de trabalho e renda, alem de critérios como população e dificuldade de acesso.

A iniciativa começou modesta: entrega simbólica de R$ 102 mil, doação de kits escolares e de higiene, roupas, chinelos, cestas básicas, filtros de barro, caixa d’água, ajuda na instalação de energia elétrica na comunidade Olho D’água e brinquedos para as famílias. Em dezembro do mesmo ano, após identificar as reais carências econômicas e sociais das comunidades, o Comitê de Responsabilidade Social Empresarial da Fenae elaborou um plano de ações compartilhadas envolvendo os agentes da comunidade local. Em menos de três anos, o poder da solidariedade e da mobilização espontânea transformou, e continua transformando, a realidade de centenas de famílias em dez comunidades, algumas indígenas e quilombolas, que ate pouco tempo viviam abaixo da linha de pobreza e se alimentavam basicamente de farinha molhada e água imprópria para o consumo.

 

Cadeia produtiva

O projeto Belágua implantou poços artesianos, projetos de piscicultura (os tanques instalados já produzem até 7 mil tilápias), galpões para a criação de galinhas caipiras, aviários para codornas e hortas comunitárias por meio de cadeias produtivas. Atualmente, as comunidades estão gerenciando essas criações e colhendo os frutos do trabalho conjunto. Algumas comunidades, como a de Santa Maria, por exemplo, sofriam com a qualidade da água por causa de seu uso por animais e para a fermentação da mandioca, necessária para a fabricação da farinha. O poço artesiano instalado na comunidade permitiu aos moradores acesso a uma água de melhor qualidade, reduzindo as doenças causadas pelas verminoses e favorecendo o combate à desnutrição infantil. O Movimento esta zerando a desnutrição nas comunidades mais carentes da cidade com uma cadeia de produção de alimentos simples, permanente e complementar. As hortas comunitárias introduzem verduras, frutas e legumes na alimentação das famílias atendidas e os resíduos produzidos pelas criações de galinhas e peixes adubam as hortas (que sao plantadas próximas aos tanques e galinheiros).

 

Economia solidária

Todos os projetos já produzem mais do que o necessário para o consumo das famílias. A produção excedente é comercializada em feiras e fornecida em merenda escolar dentro Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), uma parceria entre governo federal, estado e município. Como os produtores não pagam o transporte nem a infraestrutura da feira, disponibilizados gratuitamente pela prefeitura, os produtos são vendidos a preços convidativos. O quilo da tilápia, por exemplo, é vendido a R$ 10. Com isso, estão proporcionando alimentos de qualidade para toda a população e fazendo o dinheiro circular no município. É a verdadeira economia solidária. Agora, já é possível comemorar a redução significativa da desnutrição: de 58%, em 2015, para 19%; da mortalidade materna de 25% para 8%; e das verminoses de 69% para 37%, entre outros indicadores.

Também comprova a eficácia do projeto ‘Movimento Solidário’, idealizado para apresentar soluções para que uma cidade social e economicamente excluída tenha condições de atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), levar desenvolvimento sustentável para regiões em condições precárias e erradicar a pobreza extrema a partir de parcerias capazes de reverter, ou pelo menos amenizar, a situação de vulnerabilidade social do local.

Abelhas nativas

O melhor mel de abelha sem ferrão do Brasil e do mundo será produzido pela comunidade do Preazinho, em Belágua (MA). O projeto-piloto de criação de abelhas nativas vai aproveitar a floração da árvore Mirim (Humiria balsamífera), abundante na região, para gerar renda para a população e ajudar a preservar a flora típica no município. A expectativa é que o projeto-piloto esteja concluído até meados do mês de maio, a tempo de aproveitar a floração da Mirim, que acontece de maio a dezembro. No começo serão de 40 a 50 caixas de abelhas no meliponário, que produzirá, cada uma, cerca de oito a dez litros de mel por ano. Serão criadas duas espécies de abelhas sem ferrão, a Tiuba e a Uruçu, de forma orgânica e natural. Muito apreciado pelo seu sabor característico, o mel de Mirim também é considerado bastante nutritivo, já que a planta é rica em ferro e sais minerais. O título de melhor mel de abelha sem ferrão foi conquistado na mostra Slow Food em Milão, Itália.

 

Telecentro

Montado em parceria com a colônia de pescadores do município e o Grupo Geração Santa, o Telecentro de Belágua, equipado com 12 computadores e acesso à internet, atende cerca de 200 crianças e adolescentes que já fazem parte de atividades já desenvolvidas na cidade, como reforço escolar, balé, futebol e voleibol. A colônia cedeu o espaço físico, o Grupo Geração Santa organizou e recrutou professores voluntários e o Movimento Solidário gerenciou as doações, forneceu os computadores, realizou a reforma do espaço e disponibilizou mesas, cadeiras e outros equipamentos.

A ideia é que, futuramente, toda a população se beneficie das aulas de Word e Excel, fortalecendo-se com atividades que proporcionam capacitação e geração de renda.

 

O poder da Moringa

Imagine uma planta que possui sete vezes mais vitamina C que a laranja, quatro vezes mais vitamina A que a cenoura, duas vezes mais proteína do que o iogurte, quatro vezes mais cálcio que o leite de vaca, três vezes mais ferro que o espinafre e três vezes mais potássio que a banana, além de todos os aminoácidos essenciais que nosso corpo não produz. Essa é a Moringa, considerada a “árvore milagrosa” porque possui uma grande variedade de antioxidantes, proteínas, vitaminas e sais minerais, em alta concentração.

É essa planta que o Movimento Solidário está introduzindo nas comunidades de Belágua. Além de se tornar mais uma fonte de nutrição de qualidade, a Moringa tem a capacidade de purificar a água. Já foram plantadas cerca de 600 mudas e a expectativa é as folhas possam ser usadas como alimentação em menos de um ano. Suas vagens verdes, flores e sementes têm rico valor alimentar. Ou seja, todas as partes são utilizáveis. A ideia é combinar as folhas em sopas e pratos que utilizem os outros produtos produzidos no município, como os frangos, peixes e as hortaliças. Outra proposta é processar as folhas, transformá-las em pó e vender o produto para toda a cidade.

 

Parceria

O governo do Maranhão colabora com o programa por meio do Plano Mais IDH, criado para desenvolver ações para superar a pobreza extrema e as desigualdades sociais nos meios urbano e rural, nos 30 municípios com menor IDH do Estado. O Estado disponibiliza consultas medicas periódicas, exames laboratoriais, pré-natal, capacitação técnica para agricultores familiares e suporte nas plantações. Foi com essa parceria que o Movimento Solidário promoveu um mutirão de consultas oftalmológicas que, em quadro dias, com dois oftalmologistas e mais de 15 pessoas envolvidas, realizou mais de 1200 consultas que detectaram problemas oculares em 546 pessoas. Essas pessoas receberam tratamento e óculos de grau distribuídos gratuitamente por meio de parcerias.

 

Apoio de Flavio Dino

No início de fevereiro, durante audiência pública no Palácio dos Leões, em São Luís (MA), a Fenae debateu com o governador Flávio Dino as ações do Movimento Solidário em Belágua, abrindo diálogo em torno de uma forma ativa para melhorar a vida dos que precisam.

Nessa ocasião, como a falta de regularização fundiária é um dos maiores empecilhos para a realização de ações como a do abastecimento de água nas comunidades mais carentes, Dino determinou que o Instituto de Terras do Maranhão (Iterma) passe a atuar na região de maneira mais concreta, para remover eventuais obstáculos. Na mesma reunião, o governador maranhense expressou total apoio à campanha “Defenda a Caixa você também”, iniciada no ano passado pela Fenae e outras entidades do movimento sindical e associativo. As mobilizações realizadas pelo Brasil, envolvendo os empregados e a sociedade, foram fundamentais para barrar o projeto de transformar o banco em uma Sociedade Anônima, o que seria o primeiro passo para a abertura de capital e a privatização da instituição.

Brasil ganha espaço no mapa turístico

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Natureza é principal atrativo de destinos-tendência no país

Brasil é o mais competitivo do mundo em recursos naturais

Estruturar os destinos para conquistar mais turistas

Brasil articula seminários para atrair novos investidores

 

Rankings, listas e premiações internacionais que mapeiam as tendências de viagem do ano apontam que o interesse por turismo sustentável, ecoturismo, natureza e sol e praia estão em alta e irão beneficiar o Brasil. E não é para menos. Rico em biodiversidade, reservas de água doce, com um litoral extenso e florestas preservadas, o Brasil é o país mais competitivo do mundo em recursos naturais, segundo o Fórum Econômico Mundial.

Se você quer conhecer “aquela” praia paradisíaca, combinar turismo e aventura em uma escalada nos cânions, tirar do papel aquele “detox digital” em um hotel-fazenda ou um retiro espiritual entre montanhas, comece a se programar desde já. Pegue o calendário de feriados 2018, escolha seu destino e boa viagem.

Cenários

A revista americana “Travel & Leisure”, referência internacional do setor de viagens no mundo, divulgou sua lista anual dos 50 melhores lugares para viajar em 2018. De acordo com a publicação, sempre há algo novo a explorar nas Cataratas do Iguaçu (PR) e em São Paulo (SP), representantes brasileiros da lista. Enquanto o Parque Nacional do Iguaçu abriga um incrível exemplar do Patrimônio Natural da Humanidade – as 275 quedas que formam as cataratas e toda a beleza da cortina d’água e sua fauna e flora –, São Paulo é destaque pela cena artística e cultural fervilhante e pela gastronomia e hotelaria de luxo.

Brasília (DF) e Curitiba (PR) aparecem no 2º e 3º lugares, respectivamente, da categoria “destinos em alta” na América do Sul, pelo prêmio Travellers’ Choice 2018, distinção concedida pelo site de viagens Trip Advisor. A lista é baseada em milhares de avaliações e opiniões de viajantes do mundo todo, bem como no aumento das buscas dos visitantes do site e avaliações positivas ali registradas. Coincidência ou não, há “traços” em comum nos pontos turísticos mais visitados nas duas capitais: as obras de Oscar Niemeyer (como a Catedral de Brasília e o Museu de Curitiba) e os recantos de natureza (como o Jardim Botânico em Curitiba e o Parque da Cidade em Brasília).

Segundo o Airbnb, plataforma online de reserva de acomodações no mundo todo, duas cidades brasileiras estão em ascensão de popularidade e devem registrar aumento de demanda em 2018: Matinhos, no Paraná (+209% no número de reservas em 2017), e Guarapari, no Espírito Santo (+205%). As praias são democráticas, lindamente urbanizadas e bem preparadas para o turista, o que as coloca entre os destinos mais procurados de seus estados.

Natureza

A imponência da paisagem natural também é pré-requisito obrigatório da lista de destinos divulgada pelo Skyscanner, ferramenta de busca de passagens áreas e outros produtos turísticos. Junto com Foz do Iguaçu (outra vez!), aparecem as cidades de Lençóis (BA) e Parnaíba (PI), que devem atrair grande volume de visitantes em 2018. Lençóis é a cidade-base para conhecer as atrações da Chapada Diamantina, parque nacional que reúne cachoeiras, grutas, cavernas, cânions, piscinas naturais e vales, como o do Pati. Já Parnaíba é a cidade-mãe do Delta do Parnaíba, uma das paradas da encantadora Rota das Emoções, que reúne atrativos do Piauí, Ceará e Maranhão.

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, escondida no coração da Amazônia, é finalista 2018 da Categoria Community Award do prêmio “Tourism for Tomorrow”, do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês). Mamirauá é a maior área de mata de várzea protegida do mundo e, no meio dela, flutua uma pousada ecológica de gestão compartilhada entre o Instituto Mamirauá e as comunidades da área da reserva. Sob a ótica do turismo de base comunitária, o local preza pela conservação dos recursos naturais da região com estrutura sustentável de energia (solar), água (da chuva coletada e armazenada), gastronomia (local) e liberação de efluentes (tratados antes de retornarem ao rio).

Uma associação de guias de ecoturismo foi criada pelos próprios moradores para ajudar na gestão do turismo local e fortalecer a organização. Ideal para viajantes com foco em ecoturismo e que querem experimentar a floresta “de perto”, oferece toda a beleza verdejante da Amazônia brasileira, combinada com o melhor da rica cultura local.

Infraestrutura

Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal, Estadual, Municipal ou Distrital que pleiteiam apoio financeiro do Ministério do Turismo para a realização de obras de infraestrutura turística e eventos já podem inscrever os projetos no Sistema de Convênios do Governo Federal para a análise técnica das propostas cadastradas. A página do Siconv ficará disponível até o dia 22 de fevereiro.

“Este é o momento que os gestores têm para pleitear o apoio do MTur para estruturação dos municípios e realização de seus festejos. Esse trabalho em parceria é fundamental para desenvolver os destinos, para atrair mais turistas, gerar emprego e renda para o país”, afirmou o ministro do Turismo, Marx Beltrão. Desde a criação do Ministério do Turismo, a Pasta já destinou mais de R$ 9 bilhões para obras de infraestrutura. Os projetos vão desde grandes obras, como construções de pontes e melhorias em rodovias, centros de convenções e de eventos, até intervenções em praças e outros atrativos, além da sinalização turística.

Os recursos para apoio a obras e eventos serão provenientes da programação orçamentária do Ministério do Turismo. Projetos com o mesmo objetivo apoiados por meio de emendas parlamentares, de caráter impositivo, não estão incluídos nessa etapa de inscrições.

Para inscrever o projeto, os órgãos públicos devem comprovar o caráter tradicional e de notório conhecimento popular e gratuito do evento. Serão considerados eventos de abrangência municipal, estadual ou regional, formalmente reconhecidos pelo órgão oficial de turismo do estado e que sejam realizados exclusivamente por órgão públicos há pelo menos três edições. O MTur apoia cachês de artistas e bandas musicais previamente cadastrados no ministério; a divulgação do evento em rádio, televisão, jornal e revista; e a locação de gerador, banheiro químico, tenda e palco.

Investidores

O Ministério do Turismo  está organizando uma rodada de negócios para atrair os principais investidores dos Estados Unidos para o Brasil. A ideia é divulgar as oportunidades de investimento no turismo para os principais empresários norte-americanos. Em parceria com a Embaixada do Brasil nos EUA e a Câmara de Comércio Brasil e Estados Unidos, o Ministério do Turismo vai promover pelo menos dois seminários em Nova Iorque e Washington até o fim do ano. Entre as áreas apontadas como alternativas para os investidores estão os parques nacionais e a hotelaria. Apesar de ser apontado como o número um do mundo em recursos naturais pelo estudo de competitividade do turismo do Fórum Econômico Mundial, o Brasil recebe pouco mais de 8 milhões de visitantes por anos nas unidades de conservação enquanto os EUA recebem mais de 300 milhões de pessoas nos parques nacionais. A ideia é promover, pelo menos dois seminários para os investidores americanos ainda no primeiro semestre deste ano.

Segundo o ministro do Turismo, Marx Beltrão, o Brasil tem promovido uma série de reformas que melhoram o ambiente de negócios no país. “Agora, precisamos mostrar aos principais investidores do turismo no mundo que apostar no Brasil é um bom negócio”.

“Temos oportunidades concretas. O desafio é mostrar que o país vive um novo momento e estamos prontos para receber as maiores empresas turísticas dos EUA”, completou José Antônio Parente, secretário Nacional de Estruturação do MTur.

De acordo com o embaixador do Brasil nos EUA, Sérgio Amaral, o Banco Interamericano de Desenvolvimento tem recursos disponíveis e deve ser envolvido no processo. “Muitos empresários norte-americanos se interessam em investir no Brasil, mas esbarram na burocracia. É preciso mostrar que o país se modernizou”, ressalta o diretor de eventos da Câmara de Comércio Brasil e Estados Unidos, Theodore Helms.